tormenta
  Sem título

Sou eu
que infernizo teus dias como marca indelével.
Em tua pele fervilham resquícios dos versos
que um dia escrevi
pra te prender.

Hoje, eles apenas te atormentam
- como a tormenta que um dia fomos.


Teatro

Dê-me o revolver ou puxe o gatilho
cansei de bancar a vítima.


Matilha

Aos circulos rodeiam minha cabeça
insistentes pensamentos.
Dançam e se riem do desespero
inquilino do meu corpo
e ceiam em minhas visceras
- parasitas.


Grito

Frente ao impasse sento-me
impacientemente.
Ensaio crises
e releio bilhetes para mim mesma:
- não esquecer de respirar.


Triste

Desafinei algumas notas.
Pouco importava
na verdade.
As paredes frias
da hesitante madrugada
pouco falavam
ou reclamavam
de minha inexpressiva entonação.
Cantei meia boca
Como quem beija sem beijar.
Como quem vive
sem viver por completo.


Palavra infiel. Resposta a Fernanda.

As palavras têm várias tetas.
Cada um se nutre de uma letra.
Vão vadias
recostar no leito
dos que as usam a torto e a direito
para um próprio satisfazer.


Espera

Na virada do ano,
a virada da maré.

Te perdi pra Iemanjá.


Sempre

Ainda que eu queime na fogueira
como louca ou bruxa
sigo perseguindo palavras,
e meu prazer
é minha própria luta.


Parábola

Convergimos
ao ponto central,
onde esbarramos e desafiamos
a impenetrabilidade dos corpos.
Não tendo mais como unir,
só nos resta partir,
deslizando o convexo em direção ao eixo x.

E é assim que a vida nos diz
que o ápice da felicidade
também é seu fim.


Sem título

No meu rosto
estampei
o desgosto
de te ver
tão vulgar
quanto esta rima.


Rejeição

Ouvi o NÃO
Gritado contra minha cara
feito tapa
que estala e deixa rosa
bochechas sem cor
como as minhas.

Cái-me bem a tragédia.


Poema inacabado

Entre um verso e outro
perdi
teu rosto na multidão.
Palavras que te desenhavam
perderam
a melodia que entoavam.
E teu contorno ficou abstrato
um borrão de tinta azul escuro
da caneta estourada.

Hoje ainda te tenho
entranhado em minha roupa
sem solvente que resolva
sem solução que te devolva.


Re-feição

Quis dizer-te que ainda hoje
sonhei contigo.
Mas não o fiz.
Alimentei-me das palavras
que encheram minha boca.
Agora espero
que meu estômago tenha força
pra digerí-las.
E digerir-te, assim.


Sexta-feira

Nem que eu dance até morrer.
Hoje eu sou o rei.
E tudo que tenho são as estrelas.


Outono

Vejo dia após dias
as folhas endurecerem
tomando para si o marrom profundo
das coisas efêmeras.
Em breve seremos
:rugas e curvas.
E caíremos
deixando os galhos secos
e com lembranças.


Pentagrama

Sob a chuva soou o piano
num grave cheio e ecoante.
E em minha sala sentei sozinha
Teclas e notas
Dores e linhas.


Polpa

Sigo em passo tenro
- e maduro, agora.
Minha carne se desfaz nos dentes
que dilaceram frutas
- roxas amoras.
E enquanto cada pulsar de veias
repuxa ruga nova no rosto,
por dentro o vermelho se enche
de um doce sabor
um gosto
que só o tempo sabe preparar.


Morte na cidade (Flores)

Cantei.
E as esquinas oblíquas
se contorceram
desmascarando a rigidez fria
do asfalto noturno.
E permitindo que,
por entre as frestas quebradas,
eu visse as lágrimas
das flores
nelas soterradas.

Ninguém mais canta
(logo) nem mais as salva.
E aos poucos o mundo em que vivemos
vai trocando
:rimas e árias
por áridos campos de concreto

mudo.


Analgesia

Pouco muda após a morte
de alguém que se ama.
Os ventos são mesmos.
Os carros são os mesmos.
A São Clemente grita
com a confusão das seis horas
como sempre gritou.
Enfurescida e imponente.
E aqui em Botafogo,
uma janela a menos se acende.

Acendo velinhas então
com azuladas chamas frias
para iluminar o caminho
daquela amizade de fogo

apagada pelos dias.

(Não é a morte que dói,
é a vida).


Murder

E os lábios dos poetas
tornaram-se imóveis
pela indiferença a queima-roupa
da sociedade.


Negro

Neon neon neon
Você é tão brilhante
e artificial.
E eu
negro negro negro
absorvo tuas cores
e me contamino.


Rebirth

Quem sabe a morte não seja tão ruim assim.
Quem sabe eu renasça
ploc-ploc Hollywood pink
pra blend in melhor.
Pois hoje claramente
destôo neste mundo.


Vergonha

Escrevi um verso contundente
que enrubesceu
os rostos conservadores
que de noite no escuro
se excitam hipócritas
e conservam dores.


Prostituição

Entro no carro
e não são minhas botas pretas
e sim uma cadeira de criança
e no banco de trás
que me relembra de como o mundo é doente.


Auto-retrato

Minha barriga não está em forma
Não tenho forma
Sou abstrata
E você que tentou me acompanhar
Se perdeu
porque eu penso rápido demais
Corro longe demais
Vivo muito demais
E escorro delicada e intensamente
Como vermelho
Jogado no canvas.


Acusação

Você não vem pra cá
E fica só lá
No escuro
Onde não vê nada
Nem mesmo a si
E assim
Não se lembra do que deixou
Não sente falta
Como se não existisse.

Mas deixa eu te dizer:
Quem não existe mais é você.


Tentação

Tenho medo do monstro
Que de noite vem e te chama
E que te possui
Inflama
Tua carne
E pôe a minha pra abate.


Despedida

Você me sorriu
Brancos dentes de criança
Mas dentro da boca guardava a palavra
Que me calaria pra sempre.


Luto

Matei-te antes que fosses.
E quando morrestes
Ninguém morreu.

ou

Matei-me antes que fosses
E quando morrestes
Não estava aqui pra chorar luto.


Revelação

Derrubei uma lágrima
pela tua que secou
e te tornou por dentro
o que todos são.


Sem Título

Amor
Esta noite deixe-me chorar
Pois todo sonho
Carrega em si
Um acordar


Sábado à Noite

Entre os atos
deixo a cena muda
e me pego fugindo suave
por entre os fios dos seus cabelos.


Friend

Nâo sabia que te queria.
E agora o tempo passou
e o momento se desfez,
os instantes se diluiram
em memórias e remorso.


Traumas

Entrei em fase crítica.
Debruço sobre pilhas
de folhas vividas
e cutuco feridas
com as línguas ávidas
dos acontecimentos passados.


Traição

Vi com nojo
escorrer pelas paredes do meu corpo
um suor sujo e revoltante
enquanto minhas mãos travavam
inutilmente um embate
contra a verdade contundente
que insistia em entrar
e invadir a gente.

Não estamos mais a sós.


6 da manhã

Dormi com a luz do céu acesa.
A noite era um todo cruel demais
pra que eu permitisse aos olhos certeza
de sonhos coloridos
como os acrílicos e cristais
sentados em minhas prateleiras.


Silêncio
Para meu amor

Não quero te ferir
Por tua pele alva
Tem pecados
Quero dividir
Em cada traço do meu rosto
Teu gozo
Quero-te
Só a mim
Enfim
Nós dois.


(sic)

Me acabei de rir.
Me acabei querida.
Mesmo com a sintaxe errada
escrevo
(assim como a vida)
sobre o imperfeito e belo.


Diário de um Pesadelo

Fantasma
Arma que contra o medo
Mata
Eu imploro por minha vida
Me exorciza.

Que estou assombrada.

Fantasma
Imagem que corta a noite limpa
Me envolve
Em sobressalto e ira
Do alto da montanha me grita

Que estou assombrada.


Estafa

Azia
Barriga retorce em noite
Fria
Amargo um gosto me
Atrofia
a capacidade de lembrar do doce.


Cecília

Dê nós em minha cabeça
e em meus cabelos.
E assim me amarre
:às estrelas
:e aos medos.
E não me perderás
(ainda que eu perca a mim mesma).


Tu

Valeu o riso
Remédio da amargura
Quando muito juízo
Tornou a vida dura.


Quinta-feira

O céu chorou em meu alento
Um braço e meio de desilusão
Pela braçada que tentou ao longe
Alcançar o impossível.


Sem título

Deitemos aqui e bebamos aquela vida que não é a toa
Aquela que não vem de graça
Aquela pouca
Que nos restaura o corpo e mantem a mente
Calma

Falemos aqui do indizível
Atrevamos-nos a repetir o som do repique de risos
dentes que estalam
e do surdo corpo que vibra
Irredutível

E aos restos de nossa memória façamos um grumo
que atiraremos a esmo
Pra que insistamos sem erro em estar
em aqui estar
e amar
como se hoje fosse um recomeço.


11 horas

Não quero mais a guerra
e suas explosões furiosas e contundentes.
Já tenho baixas o bastante
aqui em minha alma.
Eu peço socorro
e largo as armas.
Faça de mim o que queres.
Não me oponho a mais nada.


Dois

Deitei-me rubra
e a grama rugia acesa
incandescente
e indescente
como nos sonhos mais furtivos
escusos
escuros
que escondo até de minha própria
cara rubra
que ruge acesa
como um incêndio de mim
em ti


Palavras

Frase retida em gole seco
na garganta
Querendo ir mas sem ter certeza
de pouso seguro.
Entao te fito afoita e presa
E deixo que leias
Tudo.

Anseio

Quis-te enchame de lábios doces
como infância malograda
de fadas ninfas e rosas pálidas
que se saceiam em mel e sonhos.

Clarice

A felicidade sempre me pareceu mesmo algo clandestino.
Linhas erradas no tecido do tempo
que cedo ou tarde se repuxam
deixando-me toda em vincos dobras e fiapos.
E como uma vela que consume o fogo
e deforma o corpo em gotas lúdicas
vi desfazer-se com calma e gozo
luta após luta o apreço pela vida.

Hier kommt die sonne

E tirei da dor uma flor singela
Letras e pétalas a enebriarem-me
Efêmeras labaredas vermelho doce
edificando frases
flores
e dores.

Amiúdes

Coleciono na pele cicatriz
de tudo que foi beijo
sexo
boca
de tudo que foi atriz.
E agora que tiras meu casaco
vês meu corpo carne retalhada
sou uma tela
na qual deixarás tua marca.

Gato

Fiz desfoque para proteger-me
de tuas suaves mãos felinas.
A cada afago um corte.
Nunca fui boa com a sorte.

Falei-e-pronto

Expuz palavras
e assinei em baixo.
Não jogo baixo.
Meu jogo é limpo
claro e soletrado.

E não mudarei.

(Quando a virtude se torna o defeito
dou um show de imperfeição -
mas não me vendo).

Adeus

Meio a contragosto desfiz cara de puta.
Limpei rancor da boca e sorri
igual no dentista.
Da mão estendida um adeus xoxo.
Nos despedimos como um telefone batido na cara.

Lilás

Enquanto falava
ouvia a voz do arrependimento
cantar suas primeiras notas
como o despertar de um dia triste
e seu agonizante lilás celeste.

Sem Título

Ai de mim
que o amor dói
e minha espera
é um sem fim
Trago versos bebados
em bolsos farrapos
juntando os trapos
que restam de mim
Após tantas lutas
e tantos estragos
não recuo a insistência
de ter-te aqui
Mas ai de mim
que já é tarde
e esperarei
até o meu fim.

Infância

Ao fim do dia a névoa branca subiu e cobriu todos os pastos. Crianças tristes foram dormir aos bandos entrelaçando mexas de cabelos ruivos. No vento, o uivo. Nas folhas, formigas presas em gotas.

- Boa noite. Se prepare para o amanhã.

Clássica

Você saiu à francesa
E eu fiquei aqui italiana
Entregue às tocattas

8 patas

Aos poucos deixei escorrer uma linha branco-transparente da minha boca. Brilhante, o filete cruzou o quarto e chegou ao corredor. Fez cambalhota na parede e mudou de direção. Quarto, corredor, cozinha, banheiro, sala. Refletiu na mesa e recomeçou. Aos poucos criei uma arapuca.

Quer me beijar?

Cartas de amor

Como são bregas as cartas de amor
Embriagam-se em entrega
- o prefácio da dor.

Carneirinhos

seminua corro solta sob semáforos
num pesadelo out of the blues

Tese

Tenho lido muito
gasto as retinas com a tinta brilhante
das letras modernas
Livro oco sem hálito
como falsas lombadas de decoração

Tenho lido muito
gasto as retinas com a tinta brilhante
das letras modernas
Olhos secos e vidrados
como bolas ocas de decoração

Tic-tac-ca-tac!

Sinto o amargo correr das horas
apertar passo
quebrar compasso
e compromisso

Fim da folga.
É chegada a hora do fast-foward.
(tô de malas prontas, falou?)

Aprendi cedo a voar.
Procuro pista de decolagem.

Bobo da Corte

To afim de sair fora.
Diga ao rei que rebelei-me.
Caminharei por entre a selva
e morrerei
livre
enfim.

Verso

Sabem os astutos
O peso bruto
E as leis morais
Só sei das noites
Das linhas torpes
Das poesias
Sempre banais.

Agressivo

Desdenhas tu
Do que escrevo.
Não entendes
Ou tens medo?

Bu!!!!

S.O.S

Cala a boca Tatiana
que o bonde está dobrando a esquina

Não consigo correr.
Estou retida por poesias.

Disappointment

Não tem make-up
ou make believe
que me tire do rosto o cansaço
da madrugada.
De pé
acordada
espreito o relógio
em sua cadência techno.
Meus olhos giram como a pickup sob sua mão.

Fiquei acordada só pra te ver

- Em vão.

Búzios

Desfilo toda prosa
por estas ruas de areia branca
aqui sou Cecília
Sou Clarice
Sou Fiona
Sou Ana.
Desfilo toda poesia
Por estas ruas de sal e vento
Sou palavra
Sou imagem
Sou tempestade
Sou tempo.

Segredo

Quem inventou tudo fui eu
Não há mais quem eu possa culpar
Quis brincar que nos amávamos
Dentro da distância de um olhar
Risos contidos e suspiros leves
Guardados em caixinhas de sonho e dor
Para mostrá-los no momento breve
Em que assumiríamos nosso amor.

Opus

Sou assim
Cheia de erros
Remendos
Consertos
e concertos.

Claustrofobia

Tenho andado em crise
De menos, na verdade, tenho andado.
Recomeço:

Tenho parado em crise.
Ensaiando iminências de fuga.
Debaixo da pele
borbulho doído
queimando inside-out.
Apagaram-se as luzes e as sinalizações.

Estou presa em mim mesma
e sem saída de emergência.

Dia de faxina

deixa
o deleixo
corpo adentro
revirar teus nós
de bagunça interna
embrome o bromo do bromedálho
com pouco caso
e muito gosto
revire as voltas
em cada entorno
conforme
a forma da tua mente
limpe da tela
:linhas retas
:horários
:metas
:formas
e regras

ACC
Poesia à Ana Cristina César

No estalar de uma noite pro dia
me fiz fera
como a moça loira da patinete
e em seus versos encontrei repouso
e de seu repouso desdobrei meus versos

No estalar de uma noite pro dia
me fiz césar
ave césar
ave maria
ave fera.

Sem título

reformei meu quarto
meiforre ume tarquo
feimerro emu rotqua
morefier mue toquar

Desisto.
Me sinto a mesma.

Superstição

Também eu saio à revelia
rompantes furiosos
e inflamativos
transgrido regras
testo minha força
ora me canso
ora dou conta
Também me faço de bruxa e pompa
rogada jeca chique e tonta
Derrubo o espelho
deixo que quebre

e em cada pedacinho letra a letra se reflete:
ta

at
ti

ia
n

na


a

Tortura

Mutila-me com palavras
e suas múltiplas faces
Deixa em aberto

:sentido
:carne

Ignore

Apaga-te da minha memoria
do mesmo modo que te imprimiste.
Rasga o carbono e despeça-te.
Despedaçando me com um triste

fim sem gloria.

Resultado

Veio me ver.
E viu nas arestas do meu rosto marcado
a fria estranheza esculpida
- fruto de sua própria natureza estranha
que sobre mim
fez pontas e ângulos
no corpo todo

como uma tela de Pablo
ou um poema estilhaçado.

.com.br

Deixei-te um verso.
Assim como quem deixa um beijo.
Esperando que teus olhos o buscasse
e o levasse a tua boca.

Apresentações

Mantenho a custo
calada
minha ânsia.

Transbordo
pau
la
ti
na
men
te.

Para te mostrar
(sem sustos)
meus sonhos.

Fade-out

Me olho no espelho e não reconheço
a face que me olha:
meu rosto ao avesso.

Sei que é assim que me vês;
E é assim que me sinto:
O avesso;
O inverso;
O contrário;
O negativo.

- Revela-me, rápido!
- Não lembro mais de minhas cores.

Sem título

Venha comigo ao passado
Vamos beber um mate
em homenagem à amizade
que um dia tivemos.

Poesia moderna

O eu,
Atrás do eu que vês;
Por trás dos pontos de luz;
Por trás do forte
- um emaranhado de fios
que desenham letras e feições:
Não é o eu que sou realmente.
É um eu vazio e maleável.
Que pertence a ti somente.

Sendo mais ti
do que eu mesma.

Bilhete

Quis-te sexo.
E no verso escrevi-te sobre amor.
Mas você não leu nem a primeira página.

Vergonha

Fiquei no canto do prato
- carne mastigada e cuspida.
E só para não incomodar sua vista
procuro eu mesma o caminho do lixo.

Agonia

Dê-me um sinal de fumaça que seja;
Pra que eu veja,
estampada nos olhos do meu pensamento,
a tua intenção.

Sem título

Venha banhar-se em meu leito
de rio
de tormento.
E pise fundo nas águas frias
azuis geladas
- adormecendo-se.
Venha trazer todas as cores
pro cinza cético que se arrebenta
sob ondas frágeis de porcelana
- espuma branca
em meus cabelos.

Foda-se

Sequei o rosto.

E por entre meus lábios,
Estalando como bolhas,
um risinho louco e aflitivo
anunciava minha escolha.

Asfixia

Senti um ar malefico entrar-me boca adentro
Inchando meu corpo
E rasgando tecidos
Arrombando minhas árvores brônquicas
E me derramando o liquido de eu mesma
Dentro de minhas cavidades

Me afoguei de dentro pra fora

 
Tatiana Castro, 24 anos, nascida em Londres, atualmente reside no Rio de Janeiro, formada em Ciências Biológicas e Mestre em Microbiologia e Imunologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Poetisa e musicista de meia-tijela. Encontrou, na arte, a vida. Aqui: versos que ninguém lê.

Analgesia

Pouco muda após a morte
de alguém que se ama.
Os ventos são mesmos.
Os carros são os mesmos.
A São Clemente grita
com a confusão das seis horas
como sempre gritou.
Enfurescida e imponente.
E aqui em Botafogo,
uma janela a menos se acende.

Acendo velinhas então
com azuladas chamas frias
para iluminar o caminho
daquela amizade de fogo
apagada pelos dias.

(Não é a morte que dói,
é a vida).


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e-mail:tatiuerj@yahoo.com

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